Adoçantes e Rótulos

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Os adoçantes podem ser divididos em naturais e artificiais, calóricos e não calóricos.

Do ponto de vista de uma dieta Low Carb, como Atkins por exemplo, os adoçantes não calóricos estão liberados, afinal eles não elevam o açúcar no sangue e, portanto, não estimulam a insulina (mais sobre isso adiante).
Do ponto de vista da dieta paleolítica, bem, é evidente que não havia aspartame ou sacarina na dieta de nossos ancestrais. É, por conseguinte, evidente que nossos genes não estão preparados para lidar com estas substâncias.
MINHA OPINIÃO: Açúcar Demerara > (melhor que o) Açúcar Mascavo > (melhor que o) Açúcar Cristal > (melhor que o) Açúcar Refinado e entre os Adoçantes: Stevita > (que é melhor) que a Sucralose
Feita esta introdução, vamos analisar os diferentes tipos de adoçantes.
Adoçantes não calóricos. 
 
Sacarina – o mais antigo dentre os adoçantes não calóricos artificiais, foi descoberto em 1878, e passou a ser utilizado durante a primeira guerra mundial devido à falta de açúcar. A partir dos anos 1960, tornou-se popular por ser não calórico. Tem um gosto amargo no final, o que faz com que normalmente seja misturado com outros adoçantes (como o ciclamato). A sacarina produziu câncer de bexiga em ratos. Contudo, as doses utilizadas eram muito superiores às utilizadas no ser humano, e a química da urina do rato é diferente da nossa, o que leva a sacarina a cristalizar-se na bexiga dos mesmos, sendo que a irritação crônica causada pelos cristais é que está associada ao câncer. Com mais de 100 anos de uso, não há evidências científicas de que seja prejudicial à saúde.
Ciclamato – Descoberto em 1937, foi banido dos EUA em 1969 depois que estudos em ratos (com uma dose equivalente de ciclamato e sacarina a 350 latas de refrigerante por dia) provocou câncer de bexiga. Permanece banido nos EUA. É aprovado em mais de 55 países, inclusive na comunidade europeia (e no Brasil). Tem um gosto amargo no final, assim como a sacarina. Sua combinação com a sacarina (numa proporção de 10:1) faz com que um cancele o amargo do outro, sendo esta a fórmula dos adoçantes mais vendidos no Brasil.
 
Aspartame – Sintetizado em 1965, aprovado pelo FDA em 1974. Tem o gosto mais parecido com o do açúcar, e não costuma deixar gosto amargo na paladar da maioria das pessoas. É composto de 2 aminoácidos (fenilalanina e aspartato). É metabolizado pelo organismo em seus aminoácidos constituintes. Assim, tecnicamente,  contém calorias. Mas como é 200 vezes mais doce do que o açúcar, é utilizados em doses tão pequenas que suas calorias acabam sendo efetivamente zero. O aspartame tem sido acusado como causa de inúmeras doenças, desde câncer até esclerose múltipla. Há um email que circula pela internet há anos, falando dos males do aspartame. O Aspartame quando cai no sangue se transforma em ácido fórmico que causa lesões no cérebro.
Sucralose – Sintetizada em 1976 a partir da sacarose, a qual é quimicamente modificada com o acréscimo de átomos de cloro, dando origem a um composto 600 vezes mais doce do que o açúcar; como não pode ser metabolizado, é considerado não calórico. É talvez o adoçante artificial não-calórico considerado mais seguro. O fato de não apresentar gosto amargo, e de ser estável a altas temperaturas (permitindo seu uso no preparo de receitas) o tornou muito popular. A maior parte é excretada nas fezes. Um estudo em ratos (empregando uma dose 10 a 100x superior à recomendada para seres humanos) provocou uma redução de 50% da flora intestinal dos animais, levantando a possibilidade de que possa provocar alterações indesejáveis desta flora em humanos, o que não foi demonstrado até o momento.
Acessulfame-K (ou Acessulfame potássico) – Descoberto em 1967, é 200x mais doce do que o açúcar, e tem um leve gosto amargo no final. Estudos em animais, com o equivalente à dose presente em mais de 1000 latas de refrigerante ao dia, não indicaram potencial carcinogênico. Costuma ser associado a outros adoçantes.

Estévia – A estévia é uma planta da família dos crisântemos, natural do Paraguai. O esteviosídeo é a substância doce extraída da planta, sendo cerca de 300 vezes mais doce do que o açúcar. É, portanto, um produto natural. A estévia, contudo, tem um pronunciado gosto amargo para algumas pessoas – a sensibilidade a este gosto parece ser geneticamente determinada. Há relatos de alterações de fertilidade em ratos – mais uma vez com concentrações elevadas. O que limita seu uso é o gosto, desagradável para muitas pessoas.

Adoçantes Calóricos
Preste atenção – a maior enganação dos rótulos mora aqui!

Os adoçantes calóricos são compostos que apresentam calorias, isto é, são metabolizadas pelo corpo fornecendo energia – em geral são transformados em glicose pelo fígado. Contudo, são (em geral) menos calóricos do que o açúcar.

O principal grupo são os POLIÓIS, conhecidos como “sugar-alcohols”, ou “alcoóis de açúcar”, pois tratam-se de modificações químicas de moléculas de açúcares simples que, do ponto de vista da química orgânica, lembram tanto a estrutura dos açúcares como dos alcoóis. Estes compostos ocorrem naturalmente em algumas plantas, em pequenas quantidades, mas maioria dos utilizados industrialmente são sintetizados a partir de açúcares simples ou amido.

Diferentes POLIÓIS têm metabolismo, calorias e impacto glicêmico completamente diferentes. Muitos são absorvidos de forma incompleta no intestino, sendo então metabolizados pela flora intestinal podendo provocar gases, estufamento e diarreia.

Segue, abaixo, um comparativo dos vários polióis:

Ingrediente Doçura GI Cal/g
Sacarose (açúcar de mesa) 100% 60 4
Xarope de Maltitol 75% 52 3
Hidrolisado de Amido Hidrogenado 33% 39 2.8
Maltitol 75% 36 2.7
Xilitol 100% 13 2.5
Isomalte 55% 9 2.1
Sorbitol 60% 9 2.5
Lactitol 35% 6 2
Manitol 60% 0 1.5
Eritritol 70% 0 0.2


PRESTE ATENÇÃO: ESTA É A PARTE MAIS IMPORTANTE DESTA POSTAGEM:

Quase todos os produtos DIET como chocolates e “doces” diet contém POLIÓIS, e o mais comum é o MALTITOL.
O maltitol tem 75 do impacto glicêmico do açúcar, mas tem apenas 75% da doçura do açúcar, ou seja, são elas por elas.Acontece que, pela lei, o produto pode receber a palavra DIET no rótulo e pode receber a expressão ZERO AÇÚCAR no rótulo, mesmo que seja CHEIO de maltitol. Mas o maltitol eleva a glicose no sangue quase (75%) tanto quanto o açúcar!! Sim, mas, tecnicamente, não é um açúcar, portanto não é ilegal afirmar que o produto contém zero açúcar. Entendeu??

Eu vou repetir, para que não reste nenhuma dúvida:

Se eu tiver um chocolate com 100g de açúcar, e outro com 100g de matitol, o chocolate com 100g de maltitol equivale, em termos do efeito na glicose no sangue, a 75g do chocolate com açúcar. MAS o chocolate com maltitol pode, por lei, ser vendido como DIET e ZERO açúcar.

Por que a indústria faz isso? Bom, tenho minhas hipóteses. Primeiro, é preciso entender que o açúcar não serve apenas para adoçar (e viciar). Ele também fornece a TEXTURA de muitos alimentos. Assim, por exemplo, a textura do leite condensado é dada pelo açúcar. Se você adoçar leite com sucralose, você terá leite doce, e não leite condensado. O mesmo vale para doce de leite, geleias e, claro, chocolates. Assim, há um imperativo – uma necessidade – do emprego de substitutos que tenham características semelhantes às do açúcar.
Mas há uma interpretação mais cínica. A de que trata-se de uma forma explorar os furos da lei. Ou seja, vamos fazer um chocolate que tem o mesmo gosto do normal – porque no fundo É a mesma coisa, e eleva a glicose no sangue quase da mesma forma – mas que podemos fazer de conta que não é, pois a LEI permite dizer que é ZERO açúcar e DIET.

Talvez agora você entenda por que a MELHOR COISA que já aconteceu para a indústria alimentícia é a ideia de que só o que importa são as calorias. Isso permite que eu fabrique um chocolate (ou geleia, ou doce de leite, etc.) usando maltitol e sucralose no lugar do açúcar, que vai elevar a glicose no sangue e a insulina 75% do que o original faria, terá o mesmo gosto, custará o DOBRO, engordará tanto quanto, mas será consumido por pessoas que querem emagrecer (e por diabéticos – pior ainda), pois tem 25% menos calorias!

Por isso eu insisto, evitem o junk food low carb – os rótulos são peças de ficção com o objetivo explícito de lhes passar a pernaComida de verdade não tem rótulo e, portanto, não mente.

Quer um chocolate?? Consuma um com mais de 70% de cacau e com açúcar de verdade. Como o sabor é forte, come-se pouco. E, pelo menos, é de verdade.

Quanto aos demais polióis:

  • Sorbitol: é muito pouco absorvido, praticamente não tem impacto na glicemia e insulina, mas por isso mesmo dá gases e diarreia se consumido em quantidade. Por este motivo, em geral é usado apenas em balas diet.
  • Isomalte: encontrado em raros produtos diet no Brasil, é um dos polióis mais adequados (baixo índice glicêmico)
  • Eritritol: é o melhor de todos os polióis – sendo absorvido (portanto não costuma dar diarreia) e excretado intacto. Nunca vi em nenhum produto brasileiro.

MAIS UM ALERTA:

Há mais algumas coisas que você deve saber.

Os adoçantes artificiais, por serem 200 a 600x mais doces do que o açúcar, precisam vir diluídos em alguma coisa. Caso contrário, a quantidade de sucralose, por exemplo, necessária para adoçar um café seria quase invisível a olho nu. Então, os fabricantes misturam o princípio ativo (o adoçante) em algum outro pó para preencher o espaço do pacotinho. Acontece que este pó é, em geral, um carboidrato!!! Isso mesmo, você leu bem. Ocorre o seguinte: no pensamento corrente entre médicos e nutricionistas, só o que importa são as calorias. Assim, se você tiver um pacotinho de sucralose diluído em 1g de lactose, isso corresponde a apenas 4 calorias – ou seja, quase nada. Mas e se você usar vários pacotinhos por dia? Digamos que você use 2 pacotinhos no seu café/limonada/chá, 5x ao dia. Serão apenas 40 calorias, mas serão 10 gramas de puro açúcar que você pode facilmente esquecer de contabilizar.

Os dois diluentes mais usados em adoçantes em pó são maltodextrina e lactose.
Ambos são carboidratos e devem ser considerados como açúcar.

IMPLICAÇÕES:

1) Cuidado com sucos artificiais e gelatinas diet em pó – boa parte do pó contido no envelope costuma ser maltodextrina, ou seja, açúcar.Lembre-se, as pessoas só se importam com calorias e, ao contrário de você, não estão controlando gramas de carboidratos.

2) Cuidado com substitutos de açúcar em pó – aqueles que você pode usar A MESMA QUANTIDADE nas receitas que requerem açúcar. SÃO UMA FARSA. A indústria usa o mesmo estratagema já descrito acima para os chocolates diet: usar maltodextrina, que não tem gosto doce e não é considerado um açúcar por lei – embora 100% se transforme em açúcar no organismo – para dar o volume e as propriedades físicas do açúcar (afinal, na prática, é um açúcar), e adoçar com um adoçante não-calórico (em geral ciclamato e sacarina). Assim, podem – sem quebrar nenhuma lei – encher um pote de um pó branco doce que aumenta a glicose no sangue e escrever bem grande no rótulo: ZERO açúcar!

Considerações Finais
Nenhum adoçante é “páleo” (isto é, condizente com os princípios de uma dieta paleolítica). Mas nenhum de nós é perfeito. Assim, com isso em mente, tenho as seguintes considerações a fazer:

  • Se for para comer algo com maltitol, melhor comer logo o produto original com açúcar e assumir a bronca, sem autoengano;
  • Use os adoçantes não-calóricos em formulação líquida (gotas), pois os mesmos são diluídos em água (certifique-se, leia o rótulo); os adoçantes em pó são diluídos em carboidratos.
P.S.: adoçantes artificiais podem elevar a insulina mesmo sem elevar glicose (apenas por terem o gosto doce)? A resposta curta é que, de uma forma geral, não. A maioria dos estudos mostra que não, e alguns poucos mostram pequenas elevações que, na prática, não teriam impacto. Quem quiser se aprofundar no tema, pode consultar oexcelente artigo de Mak Sisson sobre o assunto.
Fonte adaptada de: http://lowcarb-paleo.blogspot.com.br/2013/02/adocantes-e-rotulos.html
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