Ração Terapêutica x Dieta Caseira Terapêutica

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Ração Terapêutica x Dieta Caseira Terapêutica

Quando um animal adoece, pouca atenção é direcionada à sua alimentação. Mas, você sabia que uma alimentação adequada possui papel essencial dentro do protocolo de tratamento clínico?

O protocolo observado nestes casos, em geral, inclui a prescrição de alguma ração terapêutica industrial que mais se enquadra à situação do animal doente, mas esta solução nem sempre é a mais adequada.

Não existem dúvidas que rações industriais são extremamente práticas e sua conservação e manuseio mais simples. No entanto,  essa praticidade e a utilização de um produto que segue o modelo padronizado (“one-fits-all”) apresentam algumas desvantagens importantes, quando estamos falando de animais enfermos.

DSC00768Atendo, em grande maioria, animais enfermos e que precisam de dietas especiais. Em geral, estes pacientes são encaminhados para a Nutrição Clínica quando não existe uma ração terapêutica adequada, ou porque a ração foi rejeitada, por apresentar intolerância, resposta insatisfatória, perda de peso e desnutrição.

Estes pacientes em geral apresentam um quadro muito similar de apatia, apetite seletivo e queda progressiva na disposição e qualidade de vida. Não é de se surpreender que recebo também muitos tutores super frustrados e preocupados com essa decadência na saúde dos seus peludos.

Pode parecer tendencioso, mas boa parte dos pacientes que passam a seguir uma dieta caseira especial e terapêutica mostram uma melhora grande, pouco tempo depois do início da transição alimentar. E muitos me perguntam por que isso acontece, ou que mágica foi essa.

Acontece que não existe mágica nenhuma. Como falei, boa parte dos meus pacientes já vinham se alimentando mal há meses, por não aceitarem bem a ração prescrita. Então, no momento que passam a se alimentar melhor, seu organismo responde a esse estímulo, ganham mais energia e o apetite abre com o alimento mais saboroso e variado. A partir daí, o tratamento passa a ser estratégico.

Uma vez que o animal esteja comendo e mais fortalecido é hora de introduzir uma alimentação maisindividualizada, que irá poupar os órgãos comprometidos, diminuir os sintomas ocasionados pelo agravamento da doença e dar mais qualidade de vida evitando ao máximo os efeitos colaterais das restrições nutricionais.

Quando acompanhamos esse processo, assim, de pertinho, e vemos como esse cuidado individualizado com a alimentação faz diferença (pelo menos, com meus pacientes, dificilmente 2 apresentam a mesma dieta, mesmo apresentando a mesma enfermidade – afinal cada indivíduo é único) é difícil não se preocupar com a proposta da praticidade acima de tudo.

A ração é interessante sim, e existem algumas situações que não seriam tão viáveis sem ela. Mas se existe a possibilidade de dar essa atenção mais cuidadosa à alimentação, por que não? Faria uma enorme diferença. Será que não compensa? E acho que posso dizer com firmeza isso, afinal, não existe nada tendêncioso em afirmar que um tratamento individualizado é melhor que um padronizado, certo? 🙂

BW dogcat(me ajude a colocar os créditos?)

Parecido em aparência, mas essencialmente muito diferentes! 😉

A seguir vou apresentar algumas questões que me preocupam quando não se tem cuidado ao prescrever um alimento adequado para animais enfermos:

1) Rações terapêuticas/ medicamentosas industriais são formuladas para uma única condição clínica, ou direcionada a enfermidades que exigem nutrição similar.

Quando deparado com um animal cardíaco com doença renal, por exemplo, o veterinário precisa decidir se prescreve uma ração de cardíacos, com maior índice de proteína, inadequada para animais com doença renal, ou se prescreve uma ração para doença renal que acelera o processo de perda muscular em função das alterações na absorção e metabolização dos nutrientes que já ocorre em pacentes cardiopatas (caquexia cardíaca).

2. Rações terapêuticas industriais contam com restrição alimentar direcionadas ao controle de determinadas doenças, mas não levam em consideração o grau da enfermidade apresentado pelo animal.

Dietas terapêuticas são formuladas de forma a restringir determinados nutrientes que podem agravar determinadas doenças. Mas, isso não significa que o organismo do animal deixa de precisar estes nutrientes para funcionar. A conseqüência é o aparecimento de efeitos colaterais procedentes da escassez desses nutrientes.

Por exemplo:

A ração terapêutica para doença renal faz restrição de alguns nutrientes, incluindo o percentual de proteína. Contudo, a proteína é responsável pela conservação da massa muscular, da circulação sanguínea, imunidade (defesas naturais) e da preservação do corpo como um todo. Ela é importantíssima e, vamos lá, não podemos nos esquecer que estamos lidando com animais carnívoros. Por este motivo é que sua restrição deve ser feita com cautela, e de preferência acompanhando a evolução do quadro do animal, afim de diminuir os efeitos colaterais.

Com uso de rações industrializadas esse acompanhamento é impossível e por isso o animal que apresenta inicio de doença renal acaba recebendo o mesmo grau de restrição que um animal em estado grave (eles comem o mesmo alimento padronizado).

3) Nem todas as enfermidades apresentam uma ração terapêutica industrial adequada.

Animais que apresentam tumores e neoplasias (câncer), devem ter seu alimento restrito de carboidratos simples, alimento que serve de combustível para as células tumorais. Rações industrializadas são ricas em amido e o superprocessamento aumenta a concentração de radicais livres que aceleram o crescimento destas células.

Outras doenças que ficam sem prescrição adequada: produção de cristais e cálculos urinários mistos (estruvita e oxalato de cálcio), ou insuficiência pancreática exócrina, doença intestinal inflamatória, alergia ou intolerância à um componente da ração, gastrite (para citar algumas).

Nestas condições o animal recebe indicação da ração industrial mais próxima de sua condição, mas não necessariamente adequada.

4) Rações terapêuticas industriais nem sempre são palatáveis

Muitos animais se tornam inapetentes ou seletivos quando estão enfermos, mas sabemos que se não comem, sua recuperação é prejudicada. Acredito que seja imprescindível que todos pacientes com prescrição de ração terapêutica, tenham uma opção de plano B para o caso do animal rejeitar o alimento. Cansei de atender cães em desnutrição severa porque passaram semanas sem comer direito por terem rejeitado a ração prescrita, com isso é comum a pratica do uso da sopinha de bebe que alem de pouco calórica, não nutre adequadamente um animal carnívoro.

5) Rações terapêuticas industriais precisam se manter em condições adequadas de consumo e elevar sua vida em prateleira, bem como manter sua atratividade aos animais apesar das restrições alimentares.

Para tal, se utilizam de diversos corantes, aromatizantes e conservantes, longe do ideal para um animal enfermo.

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A consulta nutricional clínica e individualizada conta com um cuidadoso estudo da condição clínica do animal. A partir desse estudo é possível prescrever uma dieta fresca, balanceada, rica em nutrientes, sem conservantes ou aditivos, e feita especialmente para suas necessidades individuais. Esta dieta tem a vantagem de poder acompanhar o quadro clínico do animal e diminuir os efeitos colaterais provenientes da restrição. Alem disso existe a vantagem de que um alimento fresco preparado por você tem a garantia de qualidade de ingredientes selecionados (por você!) por uma fração do custo de uma ração terapêutica industrial.

ração ou comida

A Nutrição e a Nutrologia Veterinária também têm atuação dentro da Medicina Preventiva. Dietas caseiras para animais saudáveis em diferentes fases da vida, assim como para atletas e reprodutores promove benefícios observados a partir de uma melhora da saúde geral, pelagem saudável e brilhosa, redução de gordura corporal e aumento de massa muscular, disposição física e bem estar mental.

Um forte abraço a todos e muito obrigada pela visita!

Sonali Rebelo
Médica Veterinária – CRMV RJ 10952
Nutrição Clínica

Fonte: Tendências Naturebas

Site: http://tendenciasnaturebas.com.br/artigos/racao-terapeutica-industrial-x-dieta-caseira-terapeutica-personalizada/

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