Descobrindo o Desamor

desamor 1

Até bem pouco tempo atrás, mesmo tendo atributos considerados importantes para a auto-estima (beleza, profissão, status, dinheiro, livro publicado…) sentia um vazio, um buraco, uma sensação (muitas vezes apesar de ter reconhecimento externo nos níveis pessoal, profissional e social) de que algo faltava…. Sentia que para algo ser pleno era necessário o outro – da presença, carinho, cuidado, atenção, reconhecimento – um constante “precisar de você”. Apesar de ter demorado um tempo para perceber isso, pois sempre fiz o estilo de auto-suficiente, independente – características que eram vitais para mim, mascarando muito escondida uma imensa sombra do medo de ser abandonada.

Comecei entrando em contato com a dor do abandono dentro de mim.. e ai começou uma dolorosa caminhada que aparecia sem fim… A necessidade do outro, o medo… o pânico de ser rejeitada e abandonada.. e ao mesmo tempo sentindo o quanto eu não me amava… o quanto a aceitação do outro me oferecia uma anestésica sensação de eu ser importante (aceita) e o quanto isso me deixava distante de entrar em contato com minha verdade de que eu não me acolhia e muito menos me amava… Parece forte dizer isso mas é a pura verdade! Descobrir o desamor por mim tão bem maquiado durante anos foi terrível e muito doloroso!

Passei então por um período de total desamor por mim – explícito e declarado! Eu que “aparentemente” me amava tanto, fui vendo ir por terra abaixo minhas ilusórias percepções a meu respeito e meus troféus – percepções positivas nem por isso menos ilusórias de mim mesma (boa filha, boa companheira, boa isso, boa aquilo…) Ufa! E afinal de contas quem era eu? O que estava sobrando diante de tantas “máscaras” diluindo-se tão rapidamente a minha frente. Algumas vezes tentava desesperadamente me agarrar a algo e puft! lá ia embora outra Margarida que me orgulhava tanto… O que sobrou? Somente aquilo que é! Despida de tantas e tantas camadas de máscara onde me escondia na busca inconsciente e quase sem fim de ser aceita e amada.

Quantas vezes nos escondemos atrás das coisas boas que desejamos pra nós (cuidado com a beleza – ginástica, cremes, cabeleireiro… bonitas roupas, carro, bons restaurantes, viagens..), acreditando que estamos cuidando de nós, desejando o melhor para nós, e nada mais é do que uma busca de aparentarmos, o outro nos ver e nos elogiar e nos sentirmos acolhidas e amadas através da aceitação do outro.

De repente quando as coisas que tanto dava valor foram se dissolvendo na minha frente.. Que olhei e encarei de frente o meu desamor por mim foi o momento que algo definitivamente mudou! Margarida Ranauro